ATUALIZAÇÃO
O estágio começou com um
alongamento ministrado pelo Anderson Lima. Um alongamento que exigia
a elasticidade. Começaram aos poucos, aquecendo e acordando o corpo,
girando a cabeça, ombros, braços e pernas. Depois fomos ao que
interessavam, os alunos sentaram com as pernas cruzadas e com os
braços esticados para frente e com os auxílios dos dedos eles
mesmos iam puxando o tronco para frente, sem tirar a bunda do chão.
Eu e Anderson ficamos passando em cada aluno para empurrar com
cuidado até o limite do aluno. Ainda sentados só que desta vez de
pernas esticadas ao lado, desta vez em duplas nesse exercício, um
ficava com os pés no calcanhar do companheiro e de mãos dadas eles
faziam o movimento de serra, um puxava o tronco do outro para frente
e assim iam revisando. Fizemos mais exercícios parecidos e voltamos
ao exercício individual. Ao final perguntamos sobre o aquecimento e
um dos alunos chamou a atenção de que houve uma melhora do inicio
do aquecimento e no final, eles sentiram no corpo de imediato. Querem
que esse tipo de aquecimento seja retomado em algumas aulas, pois
isso faz a diferença na hora dos jogos, de entrar em cena.
VAMOS JOGAR!
JOGO DO PRESO:
Consiste na construção de uma pequena cena onde o jogador vai criar
uma situação em que esteja preso (ex: camisa de força, caixão,
preso em um porta- mala, se afogando na água e etc) e o mesmo tente
escapar. Sem fala o jogo é totalmente corporal, pode haver alguns
sons de acordo com a situação que foi criada. Cada jogador vai
criando sua situação e fazendo para a platéia sem qualquer aviso
sobre o que será feito, então a cena terá que ficar totalmente
clara para quem assiste para que possa se “ver” a cena.
Quis experimentar esse jogo com
os alunos, pelo fato de ter me somada nos registros quanta atriz em
construção, tem suas peculiaridades quanto jogo também, as regras
o obrigam o jogador a buscar cada centímetro do corpo para construir
a cena, o jogo pode te levar a uma exaustão do jogador que para ser
transferida para outra cena qualquer vira um trabalho maravilhoso no
meu ponto de vista. Trouxe o jogo principalmente para ter como
resultado final na abertura de processo.
Os alunos começaram a executar
as situações, algumas simples mais potentes, outras mais complexas,
porém sem tanta intensidade. Comecei seguindo a risca as regras da
Spollin, mas logo no início eu senti falta da entrega dos alunos na
questão de trazer o realismo da situação para o corpo, eram eles
sozinhos no palco, senti a necessidade de um auxilio externo vindo
através de perguntas que o estimulassem a entrar em contato com o
ambiente que criaram como por exemplo “está muito escuro?”, “
você está sem ar?”, “as amarras estão muito apertadas?” e os
jogadores não deveriam responder com “sim” ou “não”, mesmo
que fosse com a cabeça, orientei para que a resposta viesse no
corpo, (ex: “está frio?”, se sim o jogador deveria intensificar
esse frio o máximo possível e adicionar a cena tal estimulo até o
final. Se não, o jogador poderia dar continuidade a cena.). Foi o
suficiente para que o jogo ganhasse outro olhar, outras ações
daqueles que não conseguiam se integrar na própria “prisão”.
De alguns eu não precisei interferir com as perguntas, o corpo foi
suficiente para retratar o “preso”, surgiu claramente para a
platéia. Criaram lugares pequenos como um caixão, à lugares
grandes como um quarto em chamas. Vendo o “preso” do quarto em
chamas, a aluna criou contato com objetos durante a situação, o que
aparentava ser um balde cheio de água sendo jogado contra as chamas,
ele surgiu na cena, mas não o vi sair, como se ele desaparecesse no
ar. Senti outro “feeling” para trabalhar, o contato com objetos
imaginários, A MATERIALIZAÇÃO DE OBJETOS em cena. A ser trabalhado
em futuras aulas.
Percebi que a adaptação do jogo
não deu certo para alguns alunos, eles simplesmente não
“respondiam” aos estímulos, precisariam de um trabalho mais
profundo, mas por conta do curto tempo não pude estender o
exercício. Tentarei de novo, mas desta vez vou criar como regra a
“proibição da negação”. Fiquei satisfeita com o resultado do
jogo, pretendo retornar e evoluir junto com os alunos, mais uma vez.
Fim da aula.
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